A longa espera pelo momento da “cafeteira” da criptografia

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“Tecnologia é tudo que ainda não funciona.”

-Danny Hillis

A primeira webcam do mundo foi um sucesso inadvertido.

Cientistas da computação de um laboratório da Universidade de Cambridge, para evitar a desengano de ir até a cozinha e encontrar a cafeteira comunitária vazia, criaram um aplicativo de rede chamado XCoffee.

Uma câmera de vídeo sobressalente, montada na cozinha e conectada à rede do laboratório via Ethernet, foi programada para enviar fotos de baixa solução da cafeteira para os desktops dos cientistas a cada 20 segundos ou mais.

Era um igrejinha novo em 1991 – e quando os pesquisadores o migraram da rede de laboratórios para a ainda novidade rede mundial de computadores em 1993, ela se tornou a primeira webcam do mundo.

Também se tornou o primeiro caso de uso convencional da web.

A rede mundial de computadores era um lugar solitário em 1993, com poucas páginas da web para visualizar e nenhum mecanismo de procura para encontrá-las.

De alguma forma, porém, as pessoas encontraram o caminho para a webcam da cafeteira.

Esses primeiros surfistas da Internet estavam tão ansiosos para fazer um tanto – qualquer coisa! – na web que ficaram encantados com a visão fixa de uma cafeteira padrão.

Está quase vazio? O moca está ficando mais escuro? Alguém tomou uma xícara enquanto eu estava fora???

Foi um reality show no seu pior.

Também foi um sucesso.

A oportunidade de permanecer de olho em uma cafeteira Cambridge deve ter se espalhado estritamente de boca em boca, porque não havia mídia social para compartilhá-la, nem mecanismos de procura para encontrá-la.

Mas o público do pote cresceu de forma ordenado, com os servidores do laboratório recebendo primeiro centenas e depois milhares de visitantes – e depois exponencialmente: Milhões das pessoas logo estavam usando a web para monitorar o moca de outra pessoa.

Um dos pesquisadores do laboratório recebeu e-mails do Japão solicitando que a luz da cozinha fosse deixada acesa durante a noite para que pessoas em fusos horários diferentes pudessem ter a oportunidade de observar a cafeteira (presumivelmente vazia).

O escritório de informações turísticas de Cambridge, na Inglaterra, começou a oferecer instruções para chegar ao laboratório aos visitantes que esperavam ver a cafeteira estrela na vida real.

Finalmente, o auge da mania das cafeteiras ocorreu em 2001, quando a decisão do laboratório de desconectar permanentemente sua webcam fez com que manchetes de primeira página.

Naquela quadra, havia coisas mais substanciais para fazer na internet, é evidente, uma vez que presenciar a vídeos de gatos e piratear músicas – e não muito depois, haveria que tudo consome coisas para fazer, uma vez que velejar pelo Facebook e postar vídeos no TikTok.

Zero disso era imaginável em 1993. Mas a popularidade da webcam da cafeteira foi um primeiro vestígio de que a rede mundial de computadores logo se tornaria popular: a ânsia das pessoas em usar a Internet para ver o moca permanecer quente era um sinal evidente de que também desejariam usá-la para tudo e qualquer coisa.

Esta é uma marca registrada da grande tecnologia: se as pessoas estão ansiosas para usar novas tecnologias quando elas não são muito boas (vídeo de três quadros por minuto) e por razões inesperadas (assistindo moca), é uma aposta infalível que coisas muito maiores estão por vir.

Logo, cá está um tanto na minha lista de desejos para 2024 2026: A criptografia tem seu momento da cafeteira.


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Vitor Vieira Belarmino

Sou criador de conteúdo, atleta de futebol freestyle e comunicador digital apaixonado por inspirar pessoas através do esporte e da arte.

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